O Desafio de Uma Espiritualidade Trinitária (Parte 1)

Postado por Vitor Sousa , sexta-feira, 21 de outubro de 2011 12:44


A trindade é uma das doutrinas mais antigas da religião cristã. Embora não haja nas escrituras um texto que, explicitamente, se refira a esta doutrina, a ideia de um só Deus que se apresenta em três pessoas que, embora distintas entre si, são plenamente divinas e unas, está presente e perpassa todos os textos da Escritura Sagrada.

Entretanto, não são poucas as controvérsias a respeito do tema. Seja na antiguidade, com os seguidores de Ário contrapondo-se aos ensinos de Atanásio, ou na contemporaneidade, com os seguidores de Charles Russel contrapondo-se à todas as vertentes do cristianismo.

Talvez por isso, a igreja tenha uma dificuldade de vivenciar este tão importante conceito em sua vida prática.

O pastor e escritor Ricardo Barbosa aponta para os reflexos possíveis desse comportamento na espiritualidade das igrejas. Comumente observamos a existência de igrejas que demonstram um exacerbado legalismo, porque se pautam exclusivamente no Deus-pai. Outras se mostram demasiadamente carismáticas, porque dão maior evidência às ações do Deus-Espírito. Por fim, há também aquelas que, plenamente centradas no Deus-Filho, tornam-se humanizadas.

Aí estão três perigos extremamente danosos à vida da Igreja que não se atenta para a importância da Trindade como modelo de espiritualidade. Eis um desafio para nossa geração: como podermos refletir a Trindade em nossa prática? Sobre isso, falaremos na próxima semana.

Dos Pecadores, o Pior...

Postado por Vitor Sousa , sexta-feira, 14 de outubro de 2011 06:24


Entre os leitores da Bíblia, o Apóstolo Paulo sempre figurou entre os personagens mais queridos, talvez por conta do seu extenso “currículo”: escritor da maior parte do Novo Testamento, missionário responsável pela expansão inicial do Cristianismo no mundo antigo, referencial de conduta e modelo a quem devemos imitar (1Coríntios 11.1) e, até mesmo, considerado como um santo para a Igreja Católica.

Entretanto, ainda na adolescência, na medida em que tinha meus primeiros contatos com o texto bíblico, fiquei espantado quando li as palavras do próprio Paulo a respeito de si: “...Cristo Jesus veio ao mundo salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (1Timóteo 1.15). Meu espanto só existiu porque naquela época eu ainda não havia compreendido algo muito importante acerca daquele homem de Deus: ele era tão humano quanto eu.

Alguns anos antes de Paulo, Jesus havia condenado os religiosos de sua época (os fariseus) por conta da falsa aparência que estes insistiam em demonstrar. Estes julgavam estar acima dos outros seres humanos somente por serem religiosos. “Sepulcros caiados”, era como Jesus os chamava, “bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de toda imundícia” (Mateus 23.27). O Apóstolo Paulo segue pelo caminho inverso, demonstrando toda a fraqueza de sua natureza humana.

Só pode agir como o Apóstolo Paulo aquele que entendeu que é demasiadamente humano. Aquele que sabe que, em sua essência, é capaz das piores atrocidades que a humanidade já teve notícia, pois entende que é no coração humano que nascem os “maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’” (Marcos 7.21-23).

Quem tem vontade de agradar a Deus com um coração sincero, precisa seguir estas pegadas. Hoje, depois de outras leituras da Bíblia e uma razoável caminhada cristã, eu posso dizer que discordo do Apóstolo Paulo, tão somente porque sei que, dos pecadores, o pior sou eu.

Uma aposta que depende de mim

Postado por Vitor Sousa , sexta-feira, 7 de outubro de 2011 08:13


O livro de Jó registra a história de uma interessante aposta. Satanás, o inimigo de nossas almas, tem a audácia de desafiar Deus. “Já perdeu!”, talvez você diga apressado, achando que o Coisa-ruim ia ser besta de apostar alguma coisa que dependesse do Senhor. Mas o que está em jogo é uma das coisas mais enganosas de que se tem notícia: o coração do homem (Jeremias 17.9). "Será que Jó não tem razões para temer a Deus?", questiona Satanás, “acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz (...) estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face”. (Jó 1.9-11).

Comentando sobre o assunto em seu livro O Caminho do Coração, o pastor e escritor Ricardo Barbosa esclarece que “o que Satanás desconfia é da motivação, dos interesses ocultos. Ele quer ver se é possível para o homem buscar a Deus e adorá-lo sem nenhuma expectativa de recompensa” (p.27). 
A acusação satânica é mais do que apenas uma constatação da natureza humana. O inimigo de nossas almas tem a audácia de culpar a Deus pela falha no “projeto-humanidade”: “Sua criação ama, muito acima de ti, as tuas bênçãos!”, subentendemos.

Olhando para o “evangelho” que se propaga pelas rádios e TV’s de nosso país, onde o discurso vigente é exatamente de que “Deus tem uma bênção pra você, por isso não deixe de vir à igreja X, mande sua oferta para a obra Y e participe da campanha Z”, fico imaginando o quanto essas pessoas, sem perceber, estão contribuindo para que Satanás vença a aposta.

Gosto de pensar que essa aposta hoje depende de mim. Minha oração, a cada dia, é que eu jamais dê espaço à tentação de me relacionar com Deus motivado por aquilo que Ele tem a me oferecer. Saber que só o Senhor é Deus deve ser razão suficiente para que meu coração possa temê-lo, adorá-lo e louvá-lo.